21/24
Revisitei o passado mais uma vez e não mais me reconheci no reflexo do espelho.
As memórias, antes tão vivas, se dissipam em meio ao que eu ainda lembro misturam-se com o que criei.
Nomes, sobrenomes, histórias. Laços e nós. E nós.
Era tudo irreal.
Talvez essa breve ilusão sobre as coisas que criei torne a realidade, ainda que dura, mais doce.
A minha capacidade de prever o futuro às vezes me assusta.
Assim como assusta a possibilidade de não controlar o que sinto. Acho que é por isso que resolvi entregar grande parte do que eu sinto nas mãos de outra pessoa.
Desisti de manter o controle em cem por cento do tempo. Contento-me em segurar as rédeas em noventa por cento, isto é, em somente vinte e uma das vinte e quatro horas de cada dia.
O tempo tem sido amigo e refém.
Um refém-amigo. Preso entre os dedos e que, como água, escorre sem que possa fazer algo a respeito.
Olhei novamente no espelho e notei que há muito eu não carregava um olhar verdadeiramente triste.
Mesmo numa segunda de solidão, e eu não acho a solidão triste, me percebi grata por tudo o que têm acontecido.
(Source: porque-a-vida-segue)
(Source: inspiravers0s)